Caminhoneiros reagem a mudanças na tabela de fretes
06/06/2018 - 15h47 em Economia

Com a proposta de preços baixos em negociação desde 2016, fim do acordo pode ser motivo para uma segunda greve

Enquanto as empresas transportadoras se movimentam para mudar a tabela do frete mínimo, os caminhoneiros acompanham o andamento das negociações em Brasília (DF). Nas redes sociais, os motoristas temem a derrubada da tabela recém-instituída pelo governo, como contrapartida ao fim da greve, pelo lobby dos grandes grupos. A categoria promete resistir. "Se essa tabela cair, vai ter uma greve pior que a última. E aí não vai ter negociação, pois eles vão querer provar para o mundo que são fortes, vai ser uma grande revolta", diz Ivar Luiz Schmidt, representante do Comando Nacional do Transporte (CNT), o grande líder da paralisação de 2015.

Foi Schmidt quem criou os primeiros grupos de caminhoneiros no WhatsApp para organizar os protestos daquele ano. Atualmente, o representante participa de quase 90 grupos na rede. "Tá todo mundo só esperando que a tabela seja derrubada para parar tudo de novo", afirma. "E, pelo que estou vendo no WhatsApp, pode ter certeza de que isso vai acontecer".

A tabela de preço mínimo do transporte rodoviário - definida às pressas pelo governo para interromper a greve na semana passada - é considerada a maior vitória dos caminhoneiros nos últimos tempos. Mas, diante da reação do empresariado (principalmente representantes do agronegócio), o setor passou a temer o fim dessa conquista.

"Não vejo coisa muito boa vindo pela frente, mas vamos lutar para encontrar um meio-termo para ambas as partes", afirma o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José Fonseca Lopes, que esteve à frente das negociações com o governo na greve encerrada na semana passada. Lopes deve participar, nesta quarta-feira, 6, de uma reunião com a Casa Civil para discutir o assunto. "Esperamos encontrar um denominador comum que não prejudique o caminhoneiro. Caso contrário, podem esperar uma nova rebelião".

Segundo o presidente da Abcam afirma, uma tabela de preço mínimo era negociada no Congresso antes da greve e da medida provisória ser emitida. De acordo com Schmidt afirma, desde 2016 essa proposta estava em negociação, sem sucesso - com as condições precárias de trabalho dos motoristas de caminhão no Brasil ignoradas.

"Hoje, não existe categoria mais massacrada que o caminhoneiro. Há 30 anos esse profissional vem sendo explorado", diz Schmidt, do CNT. Na avaliação do representante, se os motoristas autônomos permitirem o fim dessa tabela em favor das transportadoras, vão perder uma grande oportunidade para melhorar a qualidade da profissão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte- Band

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